Parto feito em casa é visto por 2 milhões de pessoas na internet

Sabrina e o marido beijam Lucas logo depois do nascimento do bebê, em novembro de 2011

A terapeuta ocupacional e sanitarista Sabrina Ferigato, de 30 anos, viu um de seus momentos mais íntimos se espalhar em blogs, sites e comentários pela rede. Mas não à toa. O nascimento de seu filho Lucas, hoje com cinco meses, foi uma iniciativa compartilhada entre ela e mulheres do grupo Samaúma, de Campinas (SP), que oferece profissionais e assistência a mães que desejam um parto humanizado.

O que Sabrina não esperava é que a iniciativa fosse vista por mais de 2 milhões de vezes no YouTube – e despertasse reações de mães que se reconheceram em seu lugar, outras que repensaram a escolha da cesariana ou apenas se emocionaram ao longo dos 14 minutos de vídeo (o parto durou nove horas). A seguir, confira as imagens e uma entrevista com Sabrina.
Meus 5 Minutos – Como foi a gravidez do Lucas e a escolha por esse tipo de parto, domiciliar?

M5M – Como foi dar à luz desta forma?

Sabrina – Meu parto durou nove horas e nesse tempo a equipe do Samaúma monitorou constantemente a minha saúde e a do bebê para saber se poderíamos seguir assim. O Fernando, meu esposo, ficou o tempo todo ao meu lado e foi fundamental para tornar a dor mais suportável e o momento mais especial. Acho que quando se vivencia um parto com toda a intensidade, como foi o meu, a tarefa de ser mãe se torna mais fácil. O parto dessa forma foi importante para que eu amadurecesse a mãe que estava nascendo em mim.

M5M – Por que você resolveu compartilhar esse momento tão pessoal na internet?

Sabrina – A ideia veio da Vívian Scaggiante, da Além D’Olhar Fotografia e do grupo Samaúma, e resolvemos divulgar para militar pelos direitos das mulheres de ter um parto humanizado, respeitoso. Mas eu jamais esperei tanta repercussão. O fator positivo foi ver o vídeo movimentando mentes e corações no Brasil e iniciando uma discussão importante de saúde pública, até mesmo em blogs específicos sobre o tema.

M5M – Você recebeu mensagens de mulheres de todo o Brasil, e até do exterior, por conta do vídeo. O que leu nesses relatos?

Sabrina – A maioria das mães que me escreveram agradeceu a iniciativa de ter compartilhado um momento como esse e disse se sentir tocada pela experiência. Outras se inspiraram a fazer partos humanizados, e outras ainda rememoraram seus partos a partir do meu, o que é legal. Mas é importante falar que o vídeo não tem a expectativa de romantizar o parto, e sim de torná-lo um momento singular para cada família, sem precisar estar relacionado a procedimentos médicos, como uma doença. Cada parto é único, e é isso que procuramos respeitar.

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